SUITE FRANCESA – Irène Némirovsky

NEMIROVSKY, Irène. Suíte Francesa. Companhia das Letras, 2006, 536p.

Escrito entre 1941-1942, o livro retrata o pesadelo que foi o êxodo da população francesa diante da eminente ocupação alemã da França durante a Segunda Guerra Mundial. Em maio e junho de 1940, às vésperas da derrota militar da França e da assinatura do armistício com a Alemanha, milhares de franceses fugiram pelas estradas, rumo ao sul, na esperança de escaparem da ocupação nazista. Calcula-se que durante a debandada cerca de 10 milhões de franceses abandonaram suas casas para se refugiar na chamada Zona Livre, zona não ocupada pelos alemães.

Irène descreve, com maestria, os burgueses com suas pratarias, diretores de bancos com seus arquivos, pequenos funcionários, famílias de camponeses, todos tentando fugir. Narra à história dos Péricand, gente conservadora que desconfiava do governo da República. Do escritor Gabriel Corte que trabalhava no terraço, entre o bosque verdejante e escuro e o por do sol dourado e verde que se extinguia no Sena. Dos Michaud, ambos, marido e mulher, bancários que trabalhavam no mesmo estabelecimento. De Charles Langelet, solteirão, que só amava o seu apartamento, onde um casal o servia, suas porcelanas e tapetes. Narra também a vida de um povoado já invadido pelos oficiais nazistas, e o drama dos habitantes que têm que conviver com o inimigo. Não menos interessante é a própria história de Némirovsky.

Irène, uma judia russa, vivia em Paris por ocasião da ocupação nazista. Em julho de 1942 guardas franceses batem a sua porta e a levam para o campo de concentração de Pithiviers, no Loire. No dia seguinte é deportada para Auschwitz. Em 17 de agosto é assassinada na câmara de gás em Birkenau. Seu marido Michel escreve ao Marechal Pétain pedindo para ficar no lugar de Irène em um campo de trabalho, já que tem a saúde frágil. A resposta do governo de Vichy é a sua prisão, sendo morto em 6 de novembro de 1942 nas câmaras de gás, em Auschwitz. As duas filhas do casal são perseguidas. Ao fugirem com a tutora, levaram uma mala com fotos, papéis da família e o último manuscrito de Irène escrito em letras minúsculas para economizar tinta e papel. Neste manuscrito Irene tinha traçado um retrato implacável da França covarde, vencida e ocupada.

No final da guerra, quando começaram a chegar os sobreviventes dos campos nazistas, lá estavam Denise e Élisabeth a espera de seus pais que nunca voltaram. Denise salvara o caderno com o precioso manuscrito, mas não se atrevia a abri-lo só o fazendo muitos anos depois. Os manuscritos de Suíte Francesa estiveram guardados por 62 anos, quando foram publicados em 2004. Assim veio ao mundo SUÍTE FRANCESA.

About Sergio Nascimento

Engenheiro Eletrônico de profissão, mas plastimodelista e amante de história militar.
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