FIM DE JOGO – David Sttaford

STTAFORD, David. Fim de Jogo, 1945. Objetiva, 2012, 704p.

O autor narra a história da derrota do nazismo e do fascismo, e de homens e mulheres que viveram na Europa neste período. Narra os principais eventos que levaram o fim da Segunda Guerra Mundial, como as mortes de Hitler e Mussolini e a libertação de prisioneiros dos campos de Buchenwald e Dachau. Neste livro o autor narra os horrores das cidades destruídas, dos prisioneiros que não tem para onde ir, da fome que se alastra pela Europa, das famílias despedaçadas, a impiedade dos russos com os alemães e prisioneiros, as doenças e a abertura dos campos de concentração e extermínio, mostrando ao mundo toda a loucura guerra. Trata sobre Nuremberg, a sorte de alguns líderes nazistas, Petain e outros.

Ao longo do livro conhecemos a história de pessoas como Roberts Ellis, um jovem soldado americano que lutando na Itália, tenta manter a alma intacta perante a brutalidade da batalha. Ele tinha 20 anos de idade. Recém promovido a sargento, liderava um esquadrão de metralhadoras. Ouviu a notícia do lançamento da bomba atômica em Hiroshima em 6 de agosto, pelo rádio do navio, que o levava de volta para Nova York. Somente quando ouviu a noticia da segunda bomba lançada dois dias depois sobre Nagazaki, e com a declaração de guerra da Rússia ao Japão, Ellis teve certeza que a guerra, finalmente, tinha acabado.

Robert Reid, com menos de 40 anos, um correspondente de guerra em viagem com o exército do general George Patton. Foi o primeiro correspondente britânico a chegar a Buchenwald. Ele entrou em Buchenwald no dia seguinte a sua libertação. Reid, um homem de família até a alma, achou muito difícil de suportar o que estava vendo. Em janeiro de 1946 Reid voltou a Alemanha para ver com os próprios olhos como estavam as condições de vida no país. Nada do que testemunhou lhe inspirou qualquer simpatia. A miséria do povo contrastava com os sonhos que haviam sido alimentados durante o regime de Hitler.

Reginald Roy, um soldado canadense que enfrenta a resistência nazista na costa holandesa. Ele optou por não embarcar para o Pacífico, uma vez que o serviço militar canadense além-mar era voluntário. A libertação desencadeou punições aos culpados e uma justiça grosseira apanhou muitos inocentes. As mulheres que se prostituíram para os alemães tiveram as cabeças raspadas, conduzidas em desfiles pelas ruas e agredidas por outras mulheres. Holandeses nazistas foram presos e executados sumariamente. Roy assistiu a tudo isto.

Francesca Wilson, que trabalha na Agência das Nações Unidas para Assistência a Reabilitação – UNRRA, de ajuda humanitária. Francesca tenta, desesperadamente, diminuir o sofrimento trazido pela guerra.

O capitão Bryan Samain, o jovem combatente britânico. Transformado em uma máquina humana, ele foi ensinado sobre tudo que havia para conhecer a respeito do manejo do instrumento de que precisava para o trabalho: o rifle. Aprendeu tudo sobre a submetralhadora Thompson (a Tommy), uma arma de fabricação americana feita para os comandos. Ele participou da grande travessia do Reno próximo a cidade de Wesel. A cidade tinha sido reduzida a pó pelos bombardeiros Lancaster da RAF. Não se via nada além de crateras. Um correspondente de guerra registrou: “Nada foi deixado além do entulho, sob o qual os mortos fedem. Homens, mulheres e crianças vasculham as ruínas e vêem o que podem encontrar… Wesel deixou de existir”.

Leonard Linton, pára-quedista da 82 Divisão Aerotransportada do Exercito dos Estados Unidos e estava a serviço nos arredores de Colônia. Ele ficou horrorizado quando tomou conhecimento do massacre de Malmédy, ocorrido na Batalha do Bulge. Uma unidade americana foi capturada em Malmédy. Foram todos mortos. Mais de 81 corpos foram recolhidos, com as mãos ainda amarradas as costas. Outras atrocidades da SS envolveram homens, mulheres e crianças belgas, civis assasinados a sangue frio em suas próprias casas. Linton declarou: “se somasse todos os que se diziam antinazistas, as multidões que saudaram Hitler tão entusiasticamente deviam ter sido uma miragem.” E com relação aos judeus “a julgar pelo número que os gentis alemães diziam ter ajudado, eles totalizariam uns 50 milhões.”

Fey Von Hassel, uma alemã de 26 anos, era uma prisioneira do campo de concentração de Dachau. Seu pai, Ulrich Von Hassell era um dos diplomatas mais cultos e conceituados da Alemanha. Ele não concordava com os nazistas. Talvez por isto ele se aproximou da conspiração que, em julho de 1944, tentou eliminar Hitler. O coronel  Claus Von Stauffenberg, responsável por plantar a bomba foi sumariamente executado. Em setembro de 1944 Ulrich Von Hassell foi executado. No mesmo dia do enforcamento de Ulrich, Fey, separada de seus dois filhos menores, foi presa e, posteriormente, encaminhada para Dachau. No final da guerra Fey reencontrou seus filhos e o marido, também prisioneiro.

Fred Wagner, um judeu, que fazia parte do Grupo Auxiliar de Sapadores Militares. Pelo menos 20 mil judeus alemães, de ambos os sexos, lutaram ao lado dos aliados contra o nazismo. Wagner e seus companheiros foram designados para descobrir se os nazistas haviam preparado um reduto nas montanhas austríacas, altamente fortificado, de onde iniciariam uma desesperada cartada final. Nunca foi encontrado este reduto, porque simplesmente nunca existiu.

Entre os muitos erros cometidos por Hitler, podemos citar dois de suma importância para o destino da guerra. Um estratégico e outro ideológico. O estratégico foi a invasão da Rússia sem que a Inglaterra estivesse derrotada, pois passou a lutar em duas frentes. O ideológico foi o antissemitismo, o ódio aos judeus, que culminou com o Holocausto. Ao destinar grandes quantidades de recursos, em particular em termos de transportes ferroviários, ocupar tropas da SS e privar a Alemanha de milhões de trabalhadores potencialmente produtivos, e prováveis soldados, Hitler deixou de aproveitar uma grande fonte de recursos. Entre 1939 e 1944, a força de trabalho na Alemanha encolheu de 39 milhões para 29 milhões de pessoas, uma queda de 26%. Enquanto a atividade industrial era terrivelmente prejudicada pela falta de pessoas inteligentes, bem instruídas e trabalhadoras, Hitler exterminava cerca de 6 milhões de judeus europeus.

A análise da derrota de Hitler tem a proporção de pintá-lo como um imbecil estratégico, ou como um louco. A principal razão que levou Hitler a perder a Segunda Guerra Mundial foi a mesma que o levou a deflagra-la: ser um nazista, ou seja, levado pelo totalitarismo, nacionalismo, militarismo, imperialismo, culto da personalidade, repressão violenta, antissemitismo e racismo e considerando que os alemães seriam os melhores representantes a raça ariana, superior a todas as outras.

About Sergio Nascimento

Engenheiro Eletrônico de profissão, mas plastimodelista e amante de história militar.
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